Trabalho, cuidado e resistência: o protagonismo de uma agricultora em um sistema de produção familiar na comunidade quilombola Baixo Itacuruçá, Abaetetuba-PA

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Trabalho de Curso - Graduação - Monografia

Data

10-07-2026

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CORDEIRO, Kelly Martins. Trabalho, cuidado e resistência: o protagonismo de uma agricultora em um sistema de produção familiar na comunidade quilombola Baixo Itacuruçá, Abaetetuba-PA. Orientador: Roberta Rowsy Amorim de Castro. 2026. 58 f. Trabalho de Curso (Tecnologia em Agroecologia) – Faculdade de Formação e Desenvolvimento do Campo, Campus Universitário de Abaetetuba, Universidade Federal do Pará, Abaetetuba, 2026. Disponível em: https://bdm.ufpa.br/handle/prefix/9918. Acesso em:.
Na agricultura familiar é comum que mulheres desempenhem múltiplas funções, porém, em razão do androcentrismo historicamente enraizado na sociedade, sua atuação raramente é reconhecida ou valorizada, apesar de sua importância. Neste sentido, este trabalho objetivou-se compreender e detalhar sobre o protagonismo de uma agricultora idosa quilombola, que chefia e administra um sistema de produção agrícola familiar composto por mulheres idosas na zona rural de Abaetetuba-PA, enfatizando as dimensões do trabalho, do cuidado e da resistência. A pesquisa foi realizada partir das vivências adquiridas durante os Estágios Supervisionados I, II, III e IV, do curso de Tecnologia em Agroecologia, da Universidade Federal do Pará - Campus de Abaetetuba-PA, realizados na comunidade quilombola Baixo Itacuruçá. O presente escrito foi desenvolvido por meio de um estudo de caso, sendo conduzido por meio das observações direta e participantes, aplicação de questionário semiestruturado, registros fotográficos e cadernos de campo. A partir disso, a pesquisa evidenciou o protagonismo e atuação de Dona Maria Izabel na agricultura familiar, demonstrando sua fundamental importância para a manutenção da propriedade e do sistema produtivo nela desenvolvido, constituídos pelos subsistemas de cultivo, de criação, agroextrativista e o quintal agroflorestal. Além disso, sua atuação se estende à promoção da segurança alimentar e do cuidado com a família, já que ela assumiu a responsabilidade de cuidar da mãe e da irmã, ambas doentes. O estudo também demonstrou as dificuldades enfrentadas por Dona Maria Izabel, especialmente pela condição de ser mulher agricultora, quilombola e idosa. Neste contexto, destacaram-se o preconceito de gênero e étnico, a desvalorização e falta de reconhecimento de seus trabalhos, a sobrecarga resultante do acúmulo de funções, as limitações físicas decorrentes de sua idade, além da incerteza sobre a continuação das atividades produtivas na propriedade familiar. Mas, apesar dos desafios, a trajetória da agricultora é marcada pela resistência e pelas estratégias de superação frente às adversidades que atravessaram seu caminho. Desse modo, a pesquisa contribuiu para dar visibilidade a Dona Maria Izabel, reconhecendo sua importante atuação nas atividades agrícolas, na gestão da propriedade e no cuidado com a família.

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Disponível na internet via correio eletrônico: bibabaetetuba@ufpa.br