PIBID e educação para as relações étnico-raciais: caminhos para um letramento crítico antirracista

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Tipo de Documento

Trabalho de Curso - Graduação - Monografia

Data

23-06-2026

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Citar como

LOURENÇO, David Gabriel Fernandes. PIBID e educação para as relações étnico-raciais: caminhos para um letramento crítico antirracista. Orientadora: Rosangela do Socorro Nogueira de Sousa. 2026. 50 f. Trabalho de Curso (Licenciado em Letras - Língua Portuguesa) – Faculdade de Letras, Campus Universitário de Bragança, Universidade Federal do Pará, Bragança, 2026. Disponível em: https://bdm.ufpa.br/handle/prefix/9780. Acesso em: .
Este Trabalho de Conclusão de Curso investiga como as experiências vividas no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) podem contribuir para a formação inicial de professores de Língua Portuguesa comprometida com a educação das relações étnico-raciais (ERER) e com o desenvolvimento de um letramento crítico antirracista. A pesquisa parte da seguinte questão orientadora: como as ações do PIBID de Língua Portuguesa podem contribuir para a formação inicial de professores comprometida com a ERER e o letramento crítico e antirracista, considerando os limites, enfrentamentos e potências desse percurso formativo? O objetivo geral é compreender como as ações do PIBID de Língua Portuguesa contribuem para a ERER e para o desenvolvimento do letramento crítico e antirracista. A metodologia adotada é qualitativa, de natureza descritivo-analítica, baseada em observação participante, análise documental (plano de aula, relatório do bolsista, anotações de campo) e análise de conteúdo segundo Bardin (2016), com categorias a priori e emergentes. O referencial teórico articula os conceitos de Letramento de Reexistência (Souza, 2009), Letramento Crítico (Kleiman, 1995; Rojo, 2009), educação antirracista (Gomes, 2021; Munanga, 2012) e formação reflexiva de professores (Freire, 1996; Nóvoa, 2009; Carine, 2023). Os resultados indicam que a atividade analisada não alcançou o letramento crítico antirracista, revelando quatro tensões estruturais: (1) entre intenção e efetivação; (2) entre exigência da norma padrão e práticas linguísticas dos alunos; (3) entre abordagem desracializada da identidade e experiência racial concreta; (4) entre autonomia do bolsista e pressões institucionais. O silêncio dos alunos, o estranhamento com a escrita manual e o recurso a abreviações foram interpretados como micro-resistências cotidianas e sintomas de desconexão estrutural entre cultura escolar eurocêntrica e culturas periféricas dos alunos. Conclui-se que o PIBID, por si só, não garante a formação antirracista, mas pode se constituir como dispositivo de resistência e transformação se suas ações forem intencionalmente orientadas pela ERER, com formação teórica prévia, supervisão reflexiva antirracista, espaço para análise coletiva da prática e desnaturalização do “padrão” escolar. A principal contribuição do trabalho é oferecer um diagnóstico preciso das barreiras estruturais para a efetivação da ERER na formação inicial de professores, apontando caminhos para sua superação.

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